quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Enzo

Acordei com os sentimentos pesados, com os olhos pesados e com a cabeça mais ainda.
Como diria Enzo: "e, se bem me lembro, sonhei com corvos".
Ontem foi a última corrida do Enzo, tinha adiado, mas fiquei ali assistindo nos boxes.
Correr na chuva era sua predileção, fui eu quem molhou a pista pra sua última corrida.
Hoje eu mesma molhei a pista pra minha última corrida nesse GP, quanta ironia...
Não tinha visto a bandeira listrada, tinha óleo na pista.
Ainda vou aprender, vou saber "a arte de correr na chuva".

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Carlota

Carlota tinha mais horas de experiência do que o pipoqueiro com 15 anos de profissão, mesmo no auge de seus 19 anos.
Corria pelas ruas sujas buscando limpar a alma, por vezes até mesmo se esconde nas esquinas e olha os carros passarem e isso embaralha sua mente.
Pega carona com pessoas enigmáticas pra somente ter que se preocupar em descobrir o que a pessoa traz consigo, o medo até esquece no deslizar das palavras.
Tem um caderninho, com balões coloridos estampados na capa que guarda na bolsa.
As pessoas mais interessantes eram anotadas em sua versão, assim como a idéia de vida que ela acha correta e divertida.
Quando entra no prédio que mora com os pais e os dois irmãos mais novos é vista como uma moça suja perante as donzelas recatadas que ali também vivem (ou vegetam numa idéia proposta).
Pouco se importa e retoca o batom rosa-choque no espelho do elevador, as donzelas assustam-se e a sua rebeldia gargalha insanamente.
A rotina não era sua amiga, dificilmente visitavam-se.
Naquele dia saiu despretensiosa com seu tênis e vestido laranja sem mangas.
Parou na sinaleira e entrou no carro azul que lhe propôs carona.
Estava tocando um CD da Cássia Eller ela olhou ele nos olhos.
Foi com ele para casa, que também tornou sua casa, amou e começou a gostar de contar as horas pra sair do trabalho que ele tinha arrumado pra ela e os minutos pra ele chegar em casa.
E até hoje ela mora naquele abraço.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Corra

Corra,
Chegue lá,
Afogue-se.
Engula mais água, afogue-se...
Volte,
Pegue ar, sinta os pulmões encherem de ar.
Ria da situação...
Pegue-me pela mão, vamos rolar pelo chão.
Avance,
Corra mais,
Chegue devagar.
Molhe os pés,
Sinta o corpo emergir,
Afogue-se menos.
Respire mais, respire muito.
Ria infinitamente.
Corra, mas volte,
Volte logo!

E as luzes continuam acesas.

Ventava muito naquela avenida em que andávamos pela madrugada.
Você insistia em me provocar e afastava os cabelos do meu rosto pra contemplar minha ira.
Fomos ásperos, rimos e seguimos num descompasso alcoólico enquanto os carros passavam e as luzes continuam acesas tentando iluminar nossa caminhada.
E meu chaveiro foi a única testemunha da nossa fraqueza insana...

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Bom dia, vida!

Eu acordo de manhã e tropeço na minha vida.
Todo dia ela tá ali berrando, não consigo escapar.
E acho que tô desperdiçando essa vida.
Amanhã não vou esquecer de dar bom dia à ela quando eu acordar!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Meu varal.

Eu nunca fui muitas pessoas.
Eu sempre tentei ser várias, mas sempre descubro que é melhor ser eu mesma.
Nos passeios que fiz em personalidades diversas eu descobri que, mesmo defeituosa, eu sempre vou ser assim.
E no varal eu penduro as várias de mim, eu de várias.
Ficam ali (secas) pra eu me lembrar do que fui.
Quando a chuva cai eu deixo molhar, depois o sol ilumina e faz secar.
Estou aumentando os grampos e esgotando o espaço livre, talvez eu coloque mais cordas no meu varal.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Será que posso entrar?

Chove tanto aqui fora,
será que posso entrar?
Feche a porta de meu almoxarifado de neuroses sem fontes seguras.
Me dê café quente e uma toalha,
pendure meu casaco e ligue o som.
Sim, pode ser Beatles.
Não, essas botas não molharam meus pés.
Biscoitos... hum... obrigada!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

"Let it be, let it be..."

Senti a faca nas costas,
Senti o chão abrir.
Sou psicologicamente fraca pra suportar:
Será que estava certo?
Puxa, passei tanto tempo errando então...
Arranque meu escudo, exponha meus medos.
Deixe-me sumir com o buraco que se abre no chão, finque a faca de vez.
Não deu tempo,
Já me afoguei nessas lágrimas.

"Let it be, let it be..."

terça-feira, 21 de julho de 2009

Ah! Que cílios.

Quando eu penso em você eu olhos tuas fotos,
e descubro porque me permito te relembrar.
São teus cílios.
Cílios que escondem teus olhos amendoados,
pequenos que tão pouco me trasmitem.
Nas fotos seus cílios são tão insignificantes...
Já disse que adoro teus cílios?
Eu os adoro.
Tens tantas outras relevantes qualidades,
mas seus cílios...
Ah!
Que cílios.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Vou te decodificar.

Vou pensando, me encolhendo.
Vou te seguindo, vou me relembrando.
Estou tomando toda a garrafa de vinho sozinha,
Derrubo meio copo na minha dor.
Bebo todo o seu copo.
E todos meus sentimentos estão girando;
Vou te decodificar.
Tchau! Fui me encontrar.
"Não tenha medo: nem tudo tem explicação. Há mistério em quase tudo, nem todo veludo é azul. O coração sempre arrasa a razão, o que é preciso ninguém precisa explicar. O mundo é muito grande pra quem anda de avião, pra quem anda sem destino ele cabe na palma da mão. O coração sempre arrasa a razão, o que não tem explicação ninguém precisa explicar. O sol ainda se levanta no meio de tanta confusão, no meio da madrugada ele ilumina o japão. O coração nunca cansa da canção, o que tá escrito na canção ninguem precisa aceitar."