Defenestrar...
Três pessoas em lugares diferentes da cidade defenestravam seus corpos.
Um senhor de camisa cor mostarda, um rapaz e um outro rapaz que trabalhava em um circo.
Todos defenestraram seus corpos na minha frente, eu estava lá em todas as cenas.
O senhor levantou da mesa do café, deu um beijo na testa da neta e defenestrou-se.
Acordei.
Devia ter sonhado aquilo porque discutia o uso dessa palavra com um moço uma noite antes... Ou será que não?
Dor de cabeça, dor no corpo, dor nos pés por conta do salto alto...
Tive que expelir via oral tudo que eu havia consumido... Que nojo!
Escovei os dentes, tomei banho e escovei os dentes mais uma vez.
Voltei pra cama e me encolhi.
Feito bicho com medo, feito gente que fez coisa errada e que não quer assumir porque está com preguiça de viver.
Inferno particular, no silêncio fechei meus olhos bem forte.
Cochilei na decadência.
Levantei e não consegui fazer nada além de buscar água na cozinha.
Acidez demais pra uma pessoa num domingo perdido.
Falei com uma amiga, lamentei, me critiquei, explorei conceitos de gente mal humorada.
Acabei rindo dos meus sentimentos infantis e incontroláveis, das minhas expectativas que procriam sozinhas.
Foram tantas as vezes que eu criei expectativas e depois acabei caindo em cima delas... Eu deveria defenestrá-las!
segunda-feira, 25 de maio de 2009
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Faça por você.
Ponha mais uma gotinha de calmante no seu chá e me mande flores às 9 da manhã.
Aceite a condição de me perfumar com tua pele áspera.
Coloque lençóis limpos e espere minha volta.
Pegue as roupas na lavanderia e varra a sala.
Compre sabonetes e biscoitos de polvilho.
Água nas plantas pela manhã e depois as coloque sob o sol.
Faça a cópia das chaves da portaria e pague o aluguel.
De tarde busque pão e ferva o leite pro meu café.
Depois se banhe, lave os cabelos e corte as unhas.
Faça isso por mim, por nós... Faça principalmente por você.
Aceite a condição de me perfumar com tua pele áspera.
Coloque lençóis limpos e espere minha volta.
Pegue as roupas na lavanderia e varra a sala.
Compre sabonetes e biscoitos de polvilho.
Água nas plantas pela manhã e depois as coloque sob o sol.
Faça a cópia das chaves da portaria e pague o aluguel.
De tarde busque pão e ferva o leite pro meu café.
Depois se banhe, lave os cabelos e corte as unhas.
Faça isso por mim, por nós... Faça principalmente por você.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Põe no canal 4 pra mim?
Tô tão tristinha hoje.
Me sinto pequena, estou angustiada.
E as lágrimas bailando no rosto.
E uma banda ensaia melodias descompassadas em meus pensamentos.
E eu não sei de nada, as cores não brilham na tela cinza.
E o meu sapato está limpo embaixo, só bitucas velhas de cigarro grudadas.
Meus dedos estão limpos e as unhas lixadas.
Não vejo motivos.
Eu ainda tô tão tristinha hoje.
Põe no canal 4 pra mim?
Me sinto pequena, estou angustiada.
E as lágrimas bailando no rosto.
E uma banda ensaia melodias descompassadas em meus pensamentos.
E eu não sei de nada, as cores não brilham na tela cinza.
E o meu sapato está limpo embaixo, só bitucas velhas de cigarro grudadas.
Meus dedos estão limpos e as unhas lixadas.
Não vejo motivos.
Eu ainda tô tão tristinha hoje.
Põe no canal 4 pra mim?
domingo, 3 de maio de 2009
Amontoado de garrafas.
Bebia pra comemorar, pra esquecer e bebia também pra que alguma coisa acontecesse.
Não fugia... Da bebida, é claro.
Ligara embriagado naquela noite, atendera no primeiro toque.
Trocaram juras de amor, amanheceram juntos, não conseguiram se amar.
Seguiram rindo da tolice.
Inesperadamente contaram de seus passados, que ainda os machucava.
Enquanto contavam os olhos não se encontravam, uma vergonha, um desabafo.
Enquanto o tempo passava as garrafas se amontoavam vazias.
E o mundo acordava para eles irem dormir.
Xingavam policias e a paisagem foi feita pros dois.
Mais uma garrafa, uma inútil garrafa, uma sensação ruim...
E ela chegou em casa feliz de estar com ele, triste de ele ter que partir.
E ele? Ela não sabia o exatamente o que ele pensava.
Não fugia... Da bebida, é claro.
Ligara embriagado naquela noite, atendera no primeiro toque.
Trocaram juras de amor, amanheceram juntos, não conseguiram se amar.
Seguiram rindo da tolice.
Inesperadamente contaram de seus passados, que ainda os machucava.
Enquanto contavam os olhos não se encontravam, uma vergonha, um desabafo.
Enquanto o tempo passava as garrafas se amontoavam vazias.
E o mundo acordava para eles irem dormir.
Xingavam policias e a paisagem foi feita pros dois.
Mais uma garrafa, uma inútil garrafa, uma sensação ruim...
E ela chegou em casa feliz de estar com ele, triste de ele ter que partir.
E ele? Ela não sabia o exatamente o que ele pensava.
sábado, 2 de maio de 2009
Quero partir de mim.
Quero partir de mim.
E a casa ainda está cheia de lembranças em branco.
Ainda faltavam dois capítulos quando você me deixou.
Por tantas vezes eu ensaiei em te deixar, mas nunca publiquei esse pensamento insano.
Eu sinto tanto, eu sinto demais, eu não me sinto sem você.
Não levou o xampu do banheiro e a loção pós-barba eu vejo quando o abro o armário.
Seu cheiro ainda ecoa no silêncio.
E a torneira que você foi embora sem consertar ainda pinga, me fazendo escutar os pingos e chorar a ausência.
E eu, que tanto reclamei, agora sobra espaço no guarda-roupa.
E os me livros sobram na estante, e haviam tantos a serem lidos.
E não tenho mais bolachas de manteiga no armário, nem cream cheese na geladeira, nunca mais tomei suco de caju.
Não me irritei mais em assistir jogos de futebol, eles se tornaram companheiros do meu sofrer.
Você não abria mais a porta pra mim e nem fechava as janelas,
Você não me dava bom dia e nem dizia mais que me amava.
Falta você aqui na cama dividindo meu espaço, não tem mais os batimentos de seu coração pra embalar meu sono nas noites de insônia.
Falta o que sonhamos, falta você escrevendo a minha vida.
E a casa ainda está cheia de lembranças em branco.
Ainda faltavam dois capítulos quando você me deixou.
Por tantas vezes eu ensaiei em te deixar, mas nunca publiquei esse pensamento insano.
Eu sinto tanto, eu sinto demais, eu não me sinto sem você.
Não levou o xampu do banheiro e a loção pós-barba eu vejo quando o abro o armário.
Seu cheiro ainda ecoa no silêncio.
E a torneira que você foi embora sem consertar ainda pinga, me fazendo escutar os pingos e chorar a ausência.
E eu, que tanto reclamei, agora sobra espaço no guarda-roupa.
E os me livros sobram na estante, e haviam tantos a serem lidos.
E não tenho mais bolachas de manteiga no armário, nem cream cheese na geladeira, nunca mais tomei suco de caju.
Não me irritei mais em assistir jogos de futebol, eles se tornaram companheiros do meu sofrer.
Você não abria mais a porta pra mim e nem fechava as janelas,
Você não me dava bom dia e nem dizia mais que me amava.
Falta você aqui na cama dividindo meu espaço, não tem mais os batimentos de seu coração pra embalar meu sono nas noites de insônia.
Falta o que sonhamos, falta você escrevendo a minha vida.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Abraço estático.
Foram aqueles pensamentos que vieram de abraços estáticos...
Sim, foram eles.
Não me deixaram regenerar o coração, não deixaram estabilizar a pressão, não calcei os sapatos e nem fui pra rua.
Comi sushi e lembrei de ti... Disk-entrega de soluções e carros ultrapassando o sinal vermelho.
Tudo e nada acontecendo ao mesmo tempo, segundos mais tarde também.
Esbarrei no vaso e chorei abraçada às pétalas de margarida espalhadas no piso de madeira.
Todo o tempo de saudades bonitas e poses solitárias em fotos ensaiadas.
E a campainha toca, é você me envolvendo com mais um abraço estático.
Sim, foram eles.
Não me deixaram regenerar o coração, não deixaram estabilizar a pressão, não calcei os sapatos e nem fui pra rua.
Comi sushi e lembrei de ti... Disk-entrega de soluções e carros ultrapassando o sinal vermelho.
Tudo e nada acontecendo ao mesmo tempo, segundos mais tarde também.
Esbarrei no vaso e chorei abraçada às pétalas de margarida espalhadas no piso de madeira.
Todo o tempo de saudades bonitas e poses solitárias em fotos ensaiadas.
E a campainha toca, é você me envolvendo com mais um abraço estático.
domingo, 19 de abril de 2009
Descobri...
Descobri
Cobri
Ri
Soluço
Solução
Ação
Coração
Respiração
Aspirar
Suspirar
Ar
Janela
Tela
Compasso
Laço
Abraço
Mergulho
Saída
Ida
Descobri...
Cobri
Ri
Soluço
Solução
Ação
Coração
Respiração
Aspirar
Suspirar
Ar
Janela
Tela
Compasso
Laço
Abraço
Mergulho
Saída
Ida
Descobri...
sábado, 18 de abril de 2009
Passagem datada
Acendi um cigarro e fui pra sacada.
Via o mar dançar quando as gostas da chuva se juntavam a ele.
Meus pensamentos não acompanham a velocidade do mar agitado.
Estava entorpecida.
Uma tragada e uma lembrança não planejada de uma história sem final feliz.
Tentei fechar os olhos e só sentir a brisa gelada.
Uma sensação de enjôo acompanhou uma tontura.
Um medo de não pegar o ônibus certo e a passagem já está datada.
Copiei o atalho dos passos que julgava certo.
E saí... Sem levar a chave pra abrir a porta novamente.
Via o mar dançar quando as gostas da chuva se juntavam a ele.
Meus pensamentos não acompanham a velocidade do mar agitado.
Estava entorpecida.
Uma tragada e uma lembrança não planejada de uma história sem final feliz.
Tentei fechar os olhos e só sentir a brisa gelada.
Uma sensação de enjôo acompanhou uma tontura.
Um medo de não pegar o ônibus certo e a passagem já está datada.
Copiei o atalho dos passos que julgava certo.
E saí... Sem levar a chave pra abrir a porta novamente.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Priscila
Priscila era o tipo de mulher que comprava flores pra colocar na sala de seu pequeno apartamento quarto e sala.
Só usava sapatos pretos e um perfume para cada dia da semana.
Uma aliança de noivado na mão direita e uma foto dela e do noivo no porta-retato de madeira.
Cozinhava sempre aos sábados e domingos.
Sempre macarrão, sempre bife, sempre arroz, sempre, sempre, sempre...
Cabia em uma mão a quantidade de homens que haviam passado pela sua vida.
Foram poucos, foram intensos, foram marcantes.
Mas ela amava seu noivo, era fiel, era só dele.
Escrevia cartas de amor e gastava seu batom rosado nos beijos que dava a ele.
Tudo corria bem... Tudo era bom.
Domingos às vezes iam ao cinema, às vezes caminhavam, mas nunca se separavam.
Tudo era como tinha que ser, até que deixou uma nova pessoa entrar na sua vida.
Até que um gole de gim correspondia a um beijo.
Até que um domingo sozinha seria o começo do fim, adeus ao compromisso.
E Priscila descobriu que andar sem direção era bom, ainda mais sem pensar no futuro.
Só usava sapatos pretos e um perfume para cada dia da semana.
Uma aliança de noivado na mão direita e uma foto dela e do noivo no porta-retato de madeira.
Cozinhava sempre aos sábados e domingos.
Sempre macarrão, sempre bife, sempre arroz, sempre, sempre, sempre...
Cabia em uma mão a quantidade de homens que haviam passado pela sua vida.
Foram poucos, foram intensos, foram marcantes.
Mas ela amava seu noivo, era fiel, era só dele.
Escrevia cartas de amor e gastava seu batom rosado nos beijos que dava a ele.
Tudo corria bem... Tudo era bom.
Domingos às vezes iam ao cinema, às vezes caminhavam, mas nunca se separavam.
Tudo era como tinha que ser, até que deixou uma nova pessoa entrar na sua vida.
Até que um gole de gim correspondia a um beijo.
Até que um domingo sozinha seria o começo do fim, adeus ao compromisso.
E Priscila descobriu que andar sem direção era bom, ainda mais sem pensar no futuro.
terça-feira, 7 de abril de 2009
Dá mais um abraço?
Ela: Quero um abraço.
Ele a abraça.
Ela: Dá mais um abraço?
Ele a abraça de novo.
Ela: Agora faz carinho até eu dormir?
Ele: Faço!
Ela: Só queria isso hoje...
Ele: E você vai viciar pra tirar depois?
Ela: E quem disse que eu vou te deixar ir embora?
Ele: Você disse que só queria hoje...
Ela: Quero hoje o seu carinho. Amanhã te quero dando beijo,fazendo sexo, cozinhando pra mim, tomando banho, me vivendo... Entendeu?
Ele: Assim pode ser.
Ela: Só não pode enjoar logo.
Ele: Você é que não pode me deixar enjoar.
Ela: Traga suas bagagens e coloque o seu aquário na estante, do lado dos meus livros.
Ele: Cuidado, sou um cara que já sofreu muito.
Ela: Pessoas sofridas são perigosas, porque elas sabem que podem sobreviver.
Ele: Sem você eu não teria sobrevivido. Obrigada por ter aberto o meu bote salva-vidas e jogado fora depois de me salvar, eu nem gostava da cor dele mesmo...
Ela: Vou te ensinar a nadar, mas só pra vir até mim.
Ele: Não precisa... Não vou me perder de você, já te encontrei.
Ele a abraça.
Ela: Dá mais um abraço?
Ele a abraça de novo.
Ela: Agora faz carinho até eu dormir?
Ele: Faço!
Ela: Só queria isso hoje...
Ele: E você vai viciar pra tirar depois?
Ela: E quem disse que eu vou te deixar ir embora?
Ele: Você disse que só queria hoje...
Ela: Quero hoje o seu carinho. Amanhã te quero dando beijo,fazendo sexo, cozinhando pra mim, tomando banho, me vivendo... Entendeu?
Ele: Assim pode ser.
Ela: Só não pode enjoar logo.
Ele: Você é que não pode me deixar enjoar.
Ela: Traga suas bagagens e coloque o seu aquário na estante, do lado dos meus livros.
Ele: Cuidado, sou um cara que já sofreu muito.
Ela: Pessoas sofridas são perigosas, porque elas sabem que podem sobreviver.
Ele: Sem você eu não teria sobrevivido. Obrigada por ter aberto o meu bote salva-vidas e jogado fora depois de me salvar, eu nem gostava da cor dele mesmo...
Ela: Vou te ensinar a nadar, mas só pra vir até mim.
Ele: Não precisa... Não vou me perder de você, já te encontrei.
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"Não tenha medo: nem tudo tem explicação. Há mistério em quase tudo, nem todo veludo é azul. O coração sempre arrasa a razão, o que é preciso ninguém precisa explicar. O mundo é muito grande pra quem anda de avião, pra quem anda sem destino ele cabe na palma da mão. O coração sempre arrasa a razão, o que não tem explicação ninguém precisa explicar. O sol ainda se levanta no meio de tanta confusão, no meio da madrugada ele ilumina o japão. O coração nunca cansa da canção, o que tá escrito na canção ninguem precisa aceitar."
