sexta-feira, 19 de junho de 2009

Acendi um cigarro e fui pra sacada.

Acendi um cigarro e fui pra sacada.
Via o mar dançar quando as gotas da chuva se juntavam a ele.
Meus pensamentos não acompanham a velocidade do mar agitado.
Estava entorpecida.
Uma tragada e uma lembrança não planejada de uma história sem final feliz.
Tentei fechar os olhos e só sentir a brisa gelada.
Uma sensação de enjôo acompanhou uma tontura.
Um medo de não pegar o ônibus certo e a passagem já está datada.
Copiei o atalho dos passos que julgava certo.
E saí... Sem levar a chave pra abrir a porta novamente.
Cheguei na rodoviária e...
"Atenção senhores passageiros com destino à...”

sábado, 13 de junho de 2009

Um coração pequeno
um sentimento grande
um café frio na xícara
e você na minha cama
levante e abra as janelas
bom dia, sol.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Meu beija-flor.

É que eu não te perguntei, porque eu só senti!
Incomodam-me as perguntas que não tem respostas.
Irredutíveis perguntas sem repostas que tentam me ensinar.
E os dias que vão passando sem responder.
Os dias são como hóstia, não tem gosto.
Hóstia com vinho pra desfocar o que me aflige.
Mas meu beija-flor não tem parada certa.
Sei que não se suga inteiro pra que não morra.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Explicando

Sabe, é que eu teimo insistindo freneticamente em tentar me explicar em tudo.
Perturbando e dificultando.
E quando eu tento me explicar, eu fico me explicando complicando insanamente.
Eu fico atrapalhada na busca de explicação, fico pequena.
Por que me explicar o motivo de eu explicar?
Eu não devo ter explicado pra mim o motivo de eu me explicar.
Ou será que eu não entendi a explicação?
Não me explico direito porque ninguém é perfeito, muito menos eu.
Há sempre um jeito simples de simplificar
Só que o simples às vezes é tão complicado de se explicar
De tanto me explicar eu me complico
Há coisas sem explicação, mas, mesmo assim, eu explico.
Explicar o inexplicável e descomplicar o complicado. Árduas tarefas.
Na minha cabeça sobram barras de espaço, sobram linhas e faltam explicações.
Sempre há palavras, e nem sempre explicação.
Se explicar é a forma de se entender: Se mais me explico, mais me complico.
Eu não entendi, não expliquei e não consigo te dizer.
Entendeu?

terça-feira, 9 de junho de 2009

A minha mente.

A minha mente
que mente
sente
gira
pede
sonha
confia
implora
cria
copia
justifica
pensa
entristece
ama
A minha mente
que é contínua
desregrada
chorosa
maldosa
neurótica
paranóica
sistemática
cuidadosa
despretensiosa
inocente
suja
nonsense
a minha mente que vaga
a minha mente que murmura
a minha mente que busca ajuda e que se julga independente.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Está tão tremido e escuro.

É que às vezes as coisas ficam assim... Meio tremidas.
E consequentemente ficam escuras, e é normal tatear em busca de respostas.
E, mesmo tateando, as respostas bailam na cabeça sem serem concretas.
Até temos alguém do nosso lado, mas tudo ainda está tão tremido e escuro... Não é possível identificar quem é.
Até que esse alguém diz: "Calma, vou acender tua luz!”.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Páginas da nossa história.

Agora eu sentei aqui no sofá e peguei um livro pra terminar, mas seu cheiro tem tirado a minha concentração.
Fecho os olhos e lembro dos teus que me fazem viajar e eu sequer sei pra onde.
Esconde-se tanta coisa e, teus lábios, tuas palavras...
Vou jogando a cabeça pra trás e deixando os pensamentos irem te encontrar.
Hoje foi um dia difícil pra nós, colamos trechos da nossa história e apagamos muita coisa que foi escrita errada.
Um aperto no peito durante toda nossa conversa... Senti vontade de chorar e explodir tudo que eu sentia e eu nem sabia o que era, mas me controlei.
Agora choro baixinho aqui, baby... Estou molhando as páginas da nossa história.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Estou escrevendo porque hoje...

Oi.
Tudo bem contigo?
Estou escrevendo porque hoje passei por uma praça tão bonita e lembrei daquele dia no inverno em que passamos uma tarde no sol sentados observando as pessoas passarem. Te lembra?
Pipoca pros pombos, risadas e três latas de coca-cola.
Às vezes eu me sinto tão feliz por esses momentos...
Dá uma dorzinha no coração, mas mesmo assim eu correspondo com um sorriso.
Tu não tens noção da falta que sinto de ti... É tanta!
Vou copiando teus versos bem baixinhos no ouvido naqueles domingos em que passávamos deitados.
Aqui os domingos são vazios, geralmente saio sozinha pela rua, vagando pra hora voar.
Às vezes escuto aquele CD que tu me deste quando eu vim pra cá, só porque parece que me sinto abraçada. As músicas acompanham cada fase nossa.
Vejo um carro igual ao teu e estico o pescoço na expectativa de que seja tu, mas nunca é...
Parece que tu vai estar me esperando descer do ônibus depois do trabalho, ou vai chegar com um bombom e me dar um beijo, mas mesmo não estando eu te sinto aqui dentro.
Foi tudo tão bom, que às vezes acho que te inventei aqui na minha cabeça.
Antes eu não percebia coisas que me estavam tão acessíveis. Hoje já me recordo de coisas que não pensei que fossem tão relevantes.
Lembro do desenho da tua unha, das tuas mãos cortando a cebola pro nosso macarrão de receita secreta, da tua sobrancelha desalinhada e do teu tênis verde.
Saudade de dormir no teu edredom verde com as bordas salmão e de deitar no tapete de crochê do teu quarto enquanto tu trabalhas no computador.
Qual mesmo a marca do teu xampu??? Saudade daquele cheirinho de camomila.
A menina que senta do meu lado no trabalho tem uma foto do namorado colada no monitor, ele tem o mesmo nome que o seu.
Parece ser simpático o moço, ela é bem apaixonada. Dá gosto de ouvir ela falar dele.
Ah, diga pra sua mãe que estou usando muito o cachecol que ela me deu. Aqui faz mais frio.
Tu ias gostar muito daqui, tudo é tão lindo e tantos lugares legais pra passear e tantos bares aconchegantes com cerveja gelada.
Sua irmã já sabe o sexo do bebê? Deve estar linda barrigudinha.
Imagino que já deve ter ido pegar aquela camiseta vermelha que estava lá em casa (fica linda em ti, viu?! Aliás, o que não fica lindo em ti?).
Querido, sinto sua falta. Hoje não li a combinação do meu horóscopo com o seu... Ainda combinam?
Meu coração parece que vai explodir e sinto que estou cheia de lembranças.
Me torno chata com todo esse saudosismo, não posso evitar.
Ainda te tenho aqui dentro e mesmo assim estou bem aqui.

Me escreva.
Beijos.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Defenestrando.

Defenestrar...
Três pessoas em lugares diferentes da cidade defenestravam seus corpos.
Um senhor de camisa cor mostarda, um rapaz e um outro rapaz que trabalhava em um circo.
Todos defenestraram seus corpos na minha frente, eu estava lá em todas as cenas.
O senhor levantou da mesa do café, deu um beijo na testa da neta e defenestrou-se.
Acordei.
Devia ter sonhado aquilo porque discutia o uso dessa palavra com um moço uma noite antes... Ou será que não?
Dor de cabeça, dor no corpo, dor nos pés por conta do salto alto...
Tive que expelir via oral tudo que eu havia consumido... Que nojo!
Escovei os dentes, tomei banho e escovei os dentes mais uma vez.
Voltei pra cama e me encolhi.
Feito bicho com medo, feito gente que fez coisa errada e que não quer assumir porque está com preguiça de viver.
Inferno particular, no silêncio fechei meus olhos bem forte.
Cochilei na decadência.
Levantei e não consegui fazer nada além de buscar água na cozinha.
Acidez demais pra uma pessoa num domingo perdido.
Falei com uma amiga, lamentei, me critiquei, explorei conceitos de gente mal humorada.
Acabei rindo dos meus sentimentos infantis e incontroláveis, das minhas expectativas que procriam sozinhas.
Foram tantas as vezes que eu criei expectativas e depois acabei caindo em cima delas... Eu deveria defenestrá-las!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Faça por você.

Ponha mais uma gotinha de calmante no seu chá e me mande flores às 9 da manhã.
Aceite a condição de me perfumar com tua pele áspera.
Coloque lençóis limpos e espere minha volta.
Pegue as roupas na lavanderia e varra a sala.
Compre sabonetes e biscoitos de polvilho.
Água nas plantas pela manhã e depois as coloque sob o sol.
Faça a cópia das chaves da portaria e pague o aluguel.
De tarde busque pão e ferva o leite pro meu café.
Depois se banhe, lave os cabelos e corte as unhas.
Faça isso por mim, por nós... Faça principalmente por você.
"Não tenha medo: nem tudo tem explicação. Há mistério em quase tudo, nem todo veludo é azul. O coração sempre arrasa a razão, o que é preciso ninguém precisa explicar. O mundo é muito grande pra quem anda de avião, pra quem anda sem destino ele cabe na palma da mão. O coração sempre arrasa a razão, o que não tem explicação ninguém precisa explicar. O sol ainda se levanta no meio de tanta confusão, no meio da madrugada ele ilumina o japão. O coração nunca cansa da canção, o que tá escrito na canção ninguem precisa aceitar."